Tributação de Ativos Digitais nos EUA Entra em Nova Fase em 2026
- Juliana Zenti

- há 2 dias
- 4 min de leitura

O que muda com o novo Form 1099-DA e quais os riscos para investidores brasileiros
A tributação de ativos digitais nos Estados Unidos entrou oficialmente em uma nova fase em 2026.
Se antes o maior desafio era organizar informações dispersas entre exchanges, wallets e plataformas internacionais, agora o cenário mudou significativamente: o IRS passou a receber dados padronizados diretamente dos intermediários financeiros.
No centro dessa transformação está o novo Form 1099-DA, documento que começa a impactar diretamente investidores em criptomoedas, NFTs e outros ativos digitais — inclusive muitos brasileiros que vivem, investem ou possuem obrigações fiscais nos Estados Unidos.
O fim da informalidade no mercado de ativos digitais
Durante muitos anos, o sistema tributário americano dependeu quase exclusivamente das informações fornecidas pelo próprio contribuinte.
Era comum encontrar investidores utilizando:
Planilhas manuais
Relatórios incompletos
Dados inconsistentes entre exchanges
Falta total de controle formal das operações
Esse cenário criava espaço para:
erros de apuração,
omissões involuntárias,
divergências fiscais,
interpretações equivocadas sobre tributação.
A preocupação do governo americano já vinha sendo sinalizada desde a aprovação da Infrastructure Investment and Jobs Act de 2021, que ampliou as obrigações de reporte relacionadas a “digital assets”.
Agora, em 2026, essas regras finalmente começaram a ganhar aplicação prática.
O que é o Form 1099-DA?
O Form 1099-DA funciona, na prática, como uma versão do tradicional Form 1099-B — utilizado no mercado de ações — adaptada especificamente para ativos digitais.
A partir do ano fiscal de 2025, plataformas consideradas “brokers” passaram a ser obrigadas a reportar determinadas transações diretamente ao:
IRS
contribuinte
Isso inclui principalmente corretoras centralizadas que:
operam nos Estados Unidos,
possuem presença regulatória no país,
ou atendem clientes americanos.
Ou seja, não é apenas a localização da empresa que importa. O fator principal é se a plataforma está sujeita às regras americanas por possuir conexão operacional ou clientes nos EUA.
Quais informações o 1099-DA reporta?
O formulário passa a incluir informações relevantes sobre as operações realizadas, como:
valor bruto das vendas,
datas das transações,
tipo de ativo digital negociado,
identificação das operações.
Nas versões mais completas do sistema, previstas para os próximos anos, também deverão constar:
custo de aquisição (cost basis),
ganho ou perda apurado,
informações detalhadas de holding period.
O grande problema em 2026: ausência do cost basis
Aqui está um dos pontos mais críticos neste momento inicial de implementação.
Em muitos casos, os formulários emitidos em 2026 ainda não incluem corretamente o cost basis do ativo.
Na prática, isso significa que o IRS pode receber apenas o valor total da venda, sem saber quanto o investidor efetivamente pagou pela aquisição daquele ativo.
E isso gera um risco importante:
Sem o ajuste do custo de aquisição, o sistema pode interpretar que todo o valor da venda representa lucro tributável.
Exemplo:
Compra de Bitcoin: US$ 20.000
Venda futura: US$ 25.000
Lucro real tributável: US$ 5.000
Porém, sem o cost basis reportado, o IRS pode inicialmente enxergar os US$ 25.000 como valor integral sujeito à tributação.
Por isso, o controle individual continua sendo absolutamente essencial.
O 1099-DA NÃO substitui o controle do contribuinte
Apesar do avanço na fiscalização, o novo formulário não elimina a responsabilidade do investidor.
O 1099-DA funciona apenas como um ponto de partida para cruzamento de informações.
Diversas operações continuam fora do escopo direto do formulário, incluindo:
staking,
mineração,
airdrops,
recompensas,
movimentações entre wallets,
transações DeFi,
determinadas operações em plataformas estrangeiras.
Mesmo assim, essas operações podem continuar gerando eventos tributáveis perante o IRS.
Transparência e fiscalização aumentaram drasticamente
Outro impacto importante em 2026 é o aumento da rastreabilidade.
Antes, o IRS possuía dificuldade significativa para cruzar informações relacionadas a criptoativos.
Agora, com dados sendo enviados diretamente pelas plataformas, o risco de inconsistência entre:
o que o contribuinte declara,
e o que o governo recebe,
aumentou consideravelmente.
Isso reduz drasticamente a margem para:
erros operacionais,
omissões involuntárias,
inconsistências fiscais,
falhas de compliance.
O impacto para brasileiros que vivem ou investem nos EUA
Essa mudança merece atenção especial dos brasileiros com conexão fiscal nos Estados Unidos.
Muitos investidores utilizam simultaneamente:
exchanges americanas,
corretoras internacionais,
wallets privadas,
plataformas descentralizadas,
custodians estrangeiros.
Além disso, é extremamente comum realizar:
transferências entre carteiras,
movimentações entre exchanges,
operações fora do ambiente regulado americano.
O problema é que o 1099-DA pode mostrar apenas uma parte da realidade financeira do investidor, enquanto o IRS espera enxergar o cenário completo.
É justamente nesse desalinhamento que surgem os maiores riscos fiscais.
O que realmente mudou em 2026?
A principal mudança não foi a forma de tributar os ativos digitais.
Os criptoativos continuam sendo tratados, em regra, como property para fins tributários nos Estados Unidos.
O que mudou foi o nível de:
padronização,
rastreabilidade,
transparência,
compartilhamento de informações.
O mercado de ativos digitais passou a funcionar de maneira muito mais próxima do mercado financeiro tradicional.
Hoje existe:
menos informalidade,
maior integração de dados,
fiscalização mais eficiente,
e maior responsabilidade compartilhada entre investidores e plataformas.
Compliance deixou de ser diferencial
Para quem atua no mercado de ativos digitais, a mensagem é clara:
Organização, documentação e planejamento tributário deixaram de ser diferenciais e passaram a ser requisitos básicos de compliance fiscal.
A ausência de controle adequado pode gerar:
tributação incorreta,
inconsistências com o IRS,
notificações fiscais,
multas,
aumento de exposição regulatória.
Como a Ace Advisors USA pode ajudar?
A tributação internacional de ativos digitais exige análise técnica, organização documental e interpretação correta das regras fiscais americanas.
Nossa equipe auxilia investidores e empresários com:
análise tributária de criptoativos,
organização de histórico transacional,
apuração de ganhos e perdas,
revisão de compliance fiscal,
estruturação internacional,
planejamento tributário nos EUA.
Se você investe em ativos digitais e possui conexão fiscal com os Estados Unidos, este é o momento ideal para revisar sua estratégia e garantir conformidade com as novas exigências do IRS.
Nossa equipe está pronta para auxiliá-lo.




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